Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010

Poema cru

O esforço diário na procura de
conhecimento funcional tira-nos
o tempo de meditação - inútil -
que nos torna menos humanos
(ao contrário do que nos
queremos convencer) mais
espíritos, lúgubres de ocupação
emocional, respeitando as mais
elementares regras da sintaxe.

Às vezes recuamos, e esbate-se
a consciência do caminho entre
o metro e paragem de autocarros,
descoloridamente iguais a todos
os que vimos no cinema ( apenas
com mais consciência de si mesmos,
quem sabe).

Diluímo-nos na ficção de uma
super-existência, acima da secretária
do escritório e da máquina de café.
Temos cada vez menos tempo.
Até a nossa vontade se encerra neste
percurso repetitivo de um quotidiano
que existe concreta e pesadamente.

Sem querer perdermos
a pureza inicial do poema.

17-10-2009

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