Não posso vender a minha escrita
não posso
ainda que me dêem milhões por ela
números
redondos e rectílineos, impensável
é prostituir-me assim.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Paganismo
Grossas nuvens escurecem
o céu, impossibilitando
qualquer louvor
ao azul
da minha parte.
Da mesma forma só
eu sei que morrer
é voltar o amor
à seiva e à terra
e regressar
do infinito da vida.
o céu, impossibilitando
qualquer louvor
ao azul
da minha parte.
Da mesma forma só
eu sei que morrer
é voltar o amor
à seiva e à terra
e regressar
do infinito da vida.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Perdidamente
Desenhada na curva de vírgulas e aspas
do teu amor, renuncio a qualquer
forma de expressão liricamente forçada
pelo imperativo de te dizer
que me encontro em ti
(mesmo quando me perco
nas curvas de vírgulas e aspas
do teu corpo)
10-01-2008
do teu amor, renuncio a qualquer
forma de expressão liricamente forçada
pelo imperativo de te dizer
que me encontro em ti
(mesmo quando me perco
nas curvas de vírgulas e aspas
do teu corpo)
10-01-2008
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
natureza das coisas
Não te tenho mais do que
a chuva que cai de mansinho
ou as ondas que se espraiam
na costa, mas dorme comigo
uma certeza calma, e adivinho
que ninguém sente a chuva
e o mar como eu.
domingo, 13 de dezembro de 2009
Ode à eternidade
"Si nous habitons un éclair, il est le coeur de l'éternel" René Char
Lado lunar de uma estrela ardida, sento-me nas arcadas.
Falo para as paredes para o tecto para o céu
Aquele que tu vês invertido numa lógica que escapa
Aos alcances humanos, prova irrefutável da tua divindade.
Como tudo o que não sou e que gostava de ser
Te falo e te imploro, responde, cala
E a medida do meu amor é não se medir
Por tempo, espaço ou outra convenção qualquer
Daquelas que eles inventaram para ser relativas.
Vejo-te usar a luz ao pulso, o meu coração à banda,
Ficam-te bem.
Quem me dera não ser este pensamento, esta idade,
Presa por candeias de fumo que mais não fazem
Senão perder-nos em nevoeiro.
Quando afinal.
Tu eu qual é a diferença
Se do teu peito ao meu a distância é nula,
Se os teus reflexos iluminam ou obscurecem os meus sentidos
E o braço que levas ao chão é para me amparar a queda.
Maneira de Ser/Estar, Hora Momento,
Ensina-me!
Faz-me ver por onde errei até ti.
(Caminhos de que não me lembro.)
Porque os meus passos não foram certos como
Os teus nem o almejam ser,
Na palma da tua mão repousam todos os sonhos do mundo
E neles constróis esta mulher-criança.
Perdi muitas oportunidades, de ser quem era e de ser quem sou,
Fui muito o que esqueci e que talvez nunca tenha sido.
Ajuda-me a voltar a não ser o que não queira
E a encontrar o que afinal serei um dia, este ou outro qualquer
Em que me encontre contigo como agora.
Lado lunar de uma estrela ardida, sento-me nas arcadas.
Falo para as paredes para o tecto para o céu
Aquele que tu vês invertido numa lógica que escapa
Aos alcances humanos, prova irrefutável da tua divindade.
Como tudo o que não sou e que gostava de ser
Te falo e te imploro, responde, cala
E a medida do meu amor é não se medir
Por tempo, espaço ou outra convenção qualquer
Daquelas que eles inventaram para ser relativas.
Vejo-te usar a luz ao pulso, o meu coração à banda,
Ficam-te bem.
Quem me dera não ser este pensamento, esta idade,
Presa por candeias de fumo que mais não fazem
Senão perder-nos em nevoeiro.
Quando afinal.
Tu eu qual é a diferença
Se do teu peito ao meu a distância é nula,
Se os teus reflexos iluminam ou obscurecem os meus sentidos
E o braço que levas ao chão é para me amparar a queda.
Maneira de Ser/Estar, Hora Momento,
Ensina-me!
Faz-me ver por onde errei até ti.
(Caminhos de que não me lembro.)
Porque os meus passos não foram certos como
Os teus nem o almejam ser,
Na palma da tua mão repousam todos os sonhos do mundo
E neles constróis esta mulher-criança.
Perdi muitas oportunidades, de ser quem era e de ser quem sou,
Fui muito o que esqueci e que talvez nunca tenha sido.
Ajuda-me a voltar a não ser o que não queira
E a encontrar o que afinal serei um dia, este ou outro qualquer
Em que me encontre contigo como agora.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Viagens
Caminhando pela lombada dos
livros que compõem a estante
subo escadas e desço planícies
quase sempre sozinha, algumas
vezes cheia de vozes
dentro de mim.
Não ouço uma mensagem
clara nem sequer o que
poderia considerar um aviso
- as entranhas das obras
grandes e as brechas das
pequenas a assomarem -
sinto somente um arrepiar de
páginas por escalar e de rios
de palavras que desconheço.
26-Setembro-2009
livros que compõem a estante
subo escadas e desço planícies
quase sempre sozinha, algumas
vezes cheia de vozes
dentro de mim.
Não ouço uma mensagem
clara nem sequer o que
poderia considerar um aviso
- as entranhas das obras
grandes e as brechas das
pequenas a assomarem -
sinto somente um arrepiar de
páginas por escalar e de rios
de palavras que desconheço.
26-Setembro-2009
sábado, 28 de novembro de 2009
Pelas pedras da calçada
Num timbre que se eleva indefinitivamente
canta da vida e do desespero,
como se morresse.
Descem-lhe lágrimas pela face
notas de tristeza, melodia suave
indistinta da noite.
O amor são destroços, e a música
a mão que os recolhe e junta:
O fado é o poema
vestido de luto
- e sem ele eu não
seria tão completa -
27-11-2009
canta da vida e do desespero,
como se morresse.
Descem-lhe lágrimas pela face
notas de tristeza, melodia suave
indistinta da noite.
O amor são destroços, e a música
a mão que os recolhe e junta:
O fado é o poema
vestido de luto
- e sem ele eu não
seria tão completa -
27-11-2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
À lareira
A casa dos teus braços é
uma casa grande, com um longo
corredor onde dá vontade de correr.
Pelas janelas abertas entra
o luar arrepiado de gatos, e
do tecto vem o som de asas
que colidem. Há leitos pelo chão,
formando pequenos ninhos de ternura,
e corre uma melodia silenciosa
como água pelas paredes
- mas tu estás sempre presente.
Estás presente nos laranjas do fogo que
crepita, numa espécie de
murmúrio surdo e contínuo de beijos.
Neste amor, o teu sorriso
uma casa grande, com um longo
corredor onde dá vontade de correr.
Pelas janelas abertas entra
o luar arrepiado de gatos, e
do tecto vem o som de asas
que colidem. Há leitos pelo chão,
formando pequenos ninhos de ternura,
e corre uma melodia silenciosa
como água pelas paredes
- mas tu estás sempre presente.
Estás presente nos laranjas do fogo que
crepita, numa espécie de
murmúrio surdo e contínuo de beijos.
Neste amor, o teu sorriso
é a porta de entrada.
24-02-2008 Benedita
24-02-2008 Benedita
domingo, 15 de novembro de 2009
Dying
Sabemos que dormir é como morrer
e tememos cada manhã não mais
despertar; ainda assim dormimos,
e sempre que abrimos os olhos agradecemos
a sorte de podermos morrer todas as noites
para ressuscitarmos dos sonhos
e tememos cada manhã não mais
despertar; ainda assim dormimos,
e sempre que abrimos os olhos agradecemos
a sorte de podermos morrer todas as noites
para ressuscitarmos dos sonhos
1-o7-2009
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Sentidos
Vivemos rodeados de amigos
e dos famíliares dos amigos,
incapazes de verdadeiramente
nos soltarmos, ou de pelo
menos nos perdermos de vez.
Vamos seguindo a vertigem
do conhecimento
(electrónico-carnal) que
desvendamos, por trás
de sorrisos ocasionais e
ocos de sentido, sem chegarmos
à verdade que nos salvaria.
Como esponjas
secas e poirentas.
26-09-2009
e dos famíliares dos amigos,
incapazes de verdadeiramente
nos soltarmos, ou de pelo
menos nos perdermos de vez.
Vamos seguindo a vertigem
do conhecimento
(electrónico-carnal) que
desvendamos, por trás
de sorrisos ocasionais e
ocos de sentido, sem chegarmos
à verdade que nos salvaria.
Como esponjas
secas e poirentas.
26-09-2009
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
São segredos
O corpo abandonado depois do amor
derrama-se pela cama em luz ávida
de atenção. Os traços são líquidos
como os próprios fluídos projectados
com violência de ser para ser,
sincronizações involuntárias servindo
para atrair a normalidade
- Gestos que se mostram apenas
encobertos pelo desejo de se calarem.
26-09-2009
derrama-se pela cama em luz ávida
de atenção. Os traços são líquidos
como os próprios fluídos projectados
com violência de ser para ser,
sincronizações involuntárias servindo
para atrair a normalidade
- Gestos que se mostram apenas
encobertos pelo desejo de se calarem.
26-09-2009
Subscrever:
Mensagens (Atom)
